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Corrigir o solo é de suma importância
Carlos Eduardo de Souza
A
correção do solo é um dos requisitos básicos para uma
maior produtividade agrícola. De acordo com o professor
da Unesp de Ilha Solteira, Francisco Maximino Fernandes,
a calagem pode ser realizada em qualquer época do ano,
mas a eficiência do corretivo de acidez é maior quando
aplicado com antecedência para que possa reagir com o
solo e, dessa forma, proporcionar os benefícios
esperados. Segundo Fernandes, num solo ácido, onde há
excesso de alumínio e hidrogênio ou ocorre deficiência
de cálcio e magnésio, o crescimento das raízes é
reduzido. Um sistema radicular pouco desenvolvido limita
a absorção de água, de nutrientes e, conseqüentemente, a
produtividade das culturas. Cada cultura responde de
forma diferente à correção da acidez do solo e, se os
demais fatores de produção estiverem adequados, a
calagem pode representar aumentos de produtividade acima
de 100%. Fernandes citou como exemplo casos em que após
a correção da acidez, na região Centro-Oeste, ocorreu
incremento médio de 58 sacas de milho, 38 sacas de soja,
21 sacas de arroz por hectare, em relação a área não
corrigida.
Além
disso, o aproveitamento de fósforo e potássio pelas
plantas num solo ácido é, por exemplo, dois terços menor
do que num solo corrigido. O professor afirmou que tanto
solos ácidos como alcalinos devem ser corrigidos. As
duas situações são prejudiciais às plantas e os
materiais corretivos são diferentes. Para correção de
solos ácidos normalmente se utilizam calcários. Para
correção de solos alcalinos o procedimento é outro e,
caso necessário, é utilizado gesso (CaSO4) se houver
muito sódio, ou mesmo enxofre para diminuir o pH, se não
houver excesso de sódio. Nos dois casos, o produtor
rural deve procurar orientação de um engenheiro agrônomo
que, com base numa análise do solo, vai definir como
deve ser aplicado o corretivo. Fernandes destacou que,
em solos ácidos, o calcário é corretivo de acidez do
solo e o gesso pode ser utilizado como condicionador do
solo em subsuperfície, isto é, um melhorador das
condições químicas do solo em profundidade. “Qualquer
corretivo de acidez só corrigirá a acidez se o solo
tiver umidade. Se o solo estiver seco, o corretivo de
acidez não reagirá com o solo”, afirmou.
Quanto mais cedo, mais barato
O professor Francisco Maximino Fernandes afirmou que a
coleta de amostras de solo deve ocorrer com maior
antecedência possível. “Recomendo após a safra de verão.
O solo está úmido, o que facilita a coleta de amostras e
permite que o corretivo aplicado aproveite a umidade do
solo e comece a reagir”. Outro motivo para começar cedo
a correção do solo é que os laboratórios de análises
estão com menor volume de serviço e o produtor pode
negociar melhor a compra do calcário e frete. Segundo
Maximino Fernandes, a uma distância de 500 quilômetros,
o frete da tonelada de calcário custa R$ 40 e o produto
R$ 30.
No caso
do produtor deixar para fazer a correção da acidez solo
muito perto do plantio, terá de utilizar calcário mais
fino que tem reação mais rápida no solo e um menor poder
residual. O calcário mais fino é mais caro, mas a dose a
ser utilizada é menor. O calcário é classificado em
função do Poder Real de Neutralização Total (PRNT) e,
quanto menor o valor do PRNT, mais grossas são as
partículas e a reação é mais lenta com maior efeito
residual. “Por lei, o valor do PRNT deve constar da nota
fiscal do produto adquirido”. Quanto a granulometria, a
legislação exige que pelo menos 95% do material
corretivo passe em peneira de 2 mm, 70% em peneira de
0,84 mm e 50% em peneira de 0,3 mm. De modo geral, as
partículas menores apresentam reação mais rápida e que
se completa em três meses. Nas partículas entre 0,3 e
0,6 mm e entre 0,6 e 2,0 mm, a reação é mais lenta. São
necessários cerca de 30 meses para as partículas entre
0,3 e 0,6 mm apresentarem 100% de eficiência, enquanto
as partículas entre 0,6 e 2,0 mm chegam ao redor de 45%
de eficiência, ambas em relação as mais partículas mais
finas.
Por que analisar os solo:
:: A análise do solo é o melhor meio para avaliar a
fertilidade do solo. Com base nos resultados das
análises é possível determinar as doses adequadas de
calcário e adubo para garantir maior produtividade e
lucratividade para a sua lavoura.Para obter bons
resultados com a análise é muito importante retirar as
amostras corretamente. Siga as instruções e veja como é
fácil
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Escolha das glebas para amostragem:
-
Divida sua propriedade em glebas homogêneas, nunca
superiores a 20 hectares, e amostre cada área
isoladamente. Separe glebas com a mesma posição
topográfica (solo de morros, meia encosta, baixada), cor
do solo, textura (solos argilosos, arenosos), culturas
ou vegetação anterior (pastagem, café, milho, etc.),
adubação e calagem anteriores. Em culturas perenes, leve
em conta a idade e variedade das plantasÁreas com uma
mesma cultura, mas com produtividades muito diferentes,
devem ser amostradas separadamente. Identifique essas
glebas de maneira definitiva, fazendo um mapa para o
acompanhamento da fertilidade do solo com o passar dos
anos.
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Que ferramentas usar:
- A
coleta das amostras pode ser feita com um enxadão ou com
trados. O trado torna a operação mais fácil e rápida.
Alem disso, ele permite a retirada da amostra na
profundidade correta e na mesma quantidade de terra e
todos os pontos amostrados. A fig. 2 mostra um enxadão e
os trados tipo tubo, holandês e de caneco.
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Como coletar as amostras:
- De
cada gleba devem ser retiradas diversas subamostras,
para se obter uma média da área amostrada. Para isso
percorra a área escolhida em ziguezague e colete 20
subamostras por gleba homogênea. Em cada ponto, retire
com o pé detritos e resto de cultura
- Evite
pontos próximos a cupins, formigueiros, casas, estradas,
currais, estrume de animais, depósitos de adubo,
calcário ou manchas no solo. Introduza o trado no solo
até a profundidade de 20cm (Fig. 3). A terra coletada
representa uma porção de solo na profundidade de 0-20cm
(Fig. 4). Raspe a terra da lateral do trado,
aproveitando apenas a porção central
- Em
áreas cultivadas em sistema de plantio direto há vários
anos, é interessante a amostragem na camada de 0 a 10cm,
para monitorar o acúmulo de nutrientes na superfície do
solo
-
Entretanto, as recomendações de adubação baseadas apenas
na profundidade de 0 a 10cm, podem subestimar a
necessidade de nutrientes para as culturas
- As
pesquisas sobre o assunto ainda não são conclusivas.
Transfira a terra do trado para um balde ou outro
recipiente limpo. Repita a tradagem do mesmo modo em
cada um dos 20 pontos
-
Quebre os torrões de terra dentro do balde, retire
pedras, gravetos, ou outros resíduos e misture muito bem
(Fig. 5). Se a terra estiver muito úmida, deixe a
amostra secar ao ar. Essa mistura de subamostras
retiradas de vários pontos de uma gleba homogênea é
chamada de amostra composta
-
Atenção - Todas as ferramentas e recipientes usados para
a amostragem e embalagem da terra devem estar limpos e,
principalmente, não devem conter resíduos de calcário ou
fertilizantes.Para amostras nas quais pretende-se também
analisar micronutrientes, use trado de aço e evite
baldes de metal galvanizado. Retire cerca de 300gr de
terra do balde e transfira para uma caixinha de papelão
apropriada ou saco de plástico limpo. (Fig. 6). Essa
porção de terra (amostra composta) será enviada ao
laboratório. Jogue fora o resto da terra e recomece a
amostragem em outra área
Identifique a amostra do solo com o seu nome,
propriedade, gleba amostrada e data (Fig. 7). Anote em
um caderno, junto com um mapa da propriedade, o numero
de cada amostra local de onde foi retirada. Essas
anotações são importantes para identificar o local pazra
aplicações de calcário e fertilizantes. Além disso,
facilitam o acompanhamento da evolução da fertilidade do
solo de um ano para o outro
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Amostragem com enxadão:
- É
possível também amostrar adequadamente o solo com um
enxadão ou pá reta. Os cuidados e número de amostras são
os mesmos descritos para o trado
- Após
a limpeza superficial do terreno, faça buraco em forma
de cunha na profundidade de 0-20cm deixando uma parede
vertical. Corte, com o enxadão, uma fatia de cima até em
baixo e transfira para o balde (Fig. 8 e 9)
- Para
evitar encher muito o balde, dificultando a mistura,
cada fatia coletada pode ser destorroada dentro do
próprio buraco. Retire em seguida uma porção dessa terra
e transfira para o balde. Tome o cuidado de coletar a
mesma quantidade em cada um dos 20 pontos amostrados
>>Amostragem em culturas perenes:
- Em
culturas perenes, tais como café, citros, seringueira,
etc, a amostragem deve ser feita em toda a faixa de solo
adubada (Fig. 10), que reflete melhor os tratamentos
aplicados no solo nos anos anteriores
- As
amostras dessa área são usadas para determinar as
necessidades de calagem e adubação. O número de
subamostras necessárias e os demais procedimentos são
iguais aos recomendados para culturas anuais
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Amostragem de subsolo:
- A
análise de solo abaixo da camada arável serve para
diagnosticar o excesso da acidez, que dificulta o
crescimento das raízes, e os teores de alguns nutrientes
- A
amostra deve ser coletada, de preferência com trado, na
profundidade de 20-40cm
-
Primeiro colete amostras de 0-20cm; em seguida, retire a
terra da superfície que caiu dentro do buraco e, depois
aprofunde o trado até 40cm (Fig. 11)
Antes
de transferir essa amostra para o balde raspe a terra da
lateral do trado e retire também 2 a 3 cm de terra da
parte superior. Isso tudo é importante para evitar
contaminações com a terra da superfície. Atenção: a
amostra do subsolo não deve ser misturada com a da
superfície
Freqüência de amostragem:
- O
solo deve ser analisado pelo menos a cada 2 ou 3 anos ou
com maior freqüência em solos com problemas de
fertilidade ou intensivamente cultivados
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Envio das amostras ao laboratório:
- As
amostras podem ser enviadas também pelo correio. Para
isso é importante identifica-las muito bem e utilizar as
caixas padronizadas que são vendidas nas agencias dos
Correios
-
Escolha um dos laboratórios que utilizam o moderno
Sistema IAC de Análise de Solo e participam do Programa
de Controle de Qualidade
- Os
endereços dos laboratórios podem ser obtidos nas Casas
da Agricultura ou no site:
http://www.iac.br/~csra
Fonte - Instituto Agronômico de Campinas (Apta)