Uma nova alternativa potencial
para aumento de renda do produtor de látex e borracha é
a venda dos Certificados de Emissões Reduzidas (CERs).
Como signatário do Protocolo de Quioto, o Brasil tem
avançado no sentido de viabilizar projetos com
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) pela
construção de aterros sanitários, substituição de
combustíveis fósseis e plantio de florestas. No entanto,
no caso da seringueira, ainda não há no País nenhum
projeto MDL que esteja pagando ao produtor o benefício
ambiental de fixação de carbono em biomassa, no látex e
na borracha produzida.
As plantas produtoras de
extrativos, a exemplo da seringueira, constituem
importante dreno de CO2 a ser considerado nos projetos
MDL, pela quantidade de carbono fixada durante sua fase
produtiva. A exclusão dos extrativos nos projetos MDL,
além de não considerar a fixação total de carbono pela
árvore, dificulta a competição com projetos que se
baseiam em espécies de rápido crescimento, voltados para
a produção de madeira.
Mesmo havendo intensa
comunicação em massa sobre problemas ambientais, não
houve até o momento a decisão de implementar o mercado
de CERs para a seringueira. Uma iniciativa exemplar
neste sentido seria a criação desses certificados pelo
estado e a sua comercialização entre cidadãos, empresas
e instituições com déficit ambiental quanto à emissão de
gases de efeito estufa (GEEs), considerando como meta a
redução de 5% da quantidade emitida em 1995, conforme
proposto no Protocolo de Quioto. Como as metas devem ser
atingidas de 2008 a 2012, neste período deve-se
quantificar a biomassa, assim como a produção de
borracha e látex, e convertê-la em toneladas (t) de CO2,
além de ser possível implantar mais florestas de
seringueira e avaliá-las quanto à biomassa. Quando se
fala em fixação de carbono deve-se considerar que a
moeda de troca é o “CO2 equivalente”, portanto, os CERs
são valorados em função da quantidade deste produto.
Uma tonelada de carbono
corresponde a 3,67 t de CO2 equivalente. Uma molécula de
borracha tem 5 átomos de carbono, portanto, uma tonelada
de borracha natural seca possui 880 kg de carbono. A
produção de 16 toneladas de borracha seca no Acre, em
2006, propiciou a fixação de 14 toneladas de carbono só
em borracha. Outro aspecto interessante é que ao se
utilizar uma tonelada de borracha natural, em
substituição à borracha sintética produzida a partir do
petróleo, deixa-se de emitir 4,8 toneladas de carbono
para a atmosfera.
No mercado de trocas de
Chicago (Chicago Climate Exchange), em abril de 2007 os
CERs eram comercializados a US$ 3,70, preço da tonelada
métrica de CO2 equivalente. Em projetos de 100 ha de
seringueira, para um ciclo de 30 anos, estima-se a
produção de 6 mil toneladas de carbono orgânico na
biomassa, ou seja, 22.020 t de CO2eq. Se convertida em
títulos CERs, esta produção pode render US$ 67.198 com a
venda de créditos de carbono, sem considerar o carbono
fixado na borracha e o CO2 potencial de emissões
evitadas. Se considerarmos estas duas variáveis, os
números podem ser estimados em 16.120 t de C, ou seja,
59.160 t de CO2eq., o que poderá render US$ 198.575.
O mercado mundial de CERs, dentro das normas acordadas
no Protocolo de Quioto e em reuniões e acordos
seguintes, não apresenta no curto prazo a perspectiva de
obtenção de lucros com a venda destes certificados por
parte de produtores florestais. Portanto, não se sabe
como atingir a meta estabelecida até 2012, pelas vias
deste protocolo, para redução dos gases de efeito estufa
(GEEs) sem viabilizar os CERs de florestas plantadas e
reflorestamentos em áreas degradadas. Contudo, nas
bolsas americanas e européias ou diretamente com
empresas que se interessam em baixar seu déficit de
carbono, e em mercados especiais, esta importante fonte
de renda pode se viabilizar no curto prazo.